Dentistas.com.br
← Todas as edições

Em dez anos a medicina cortou antibiótico e a odontologia ficou parada

Entre 2012 e 2022 a prescrição de antibiótico por médicos caiu — e a feita por dentistas ficou essencialmente no mesmo lugar. É o dado que abre o novo posicionamento do conselho científico da Associação Dental Americana.

O número que incomoda

Nos Estados Unidos, dentistas respondem por cerca de 10% de todas as prescrições ambulatoriais de antibiótico. E, no período de 2012 a 2022, enquanto a prescrição médica caía, a odontológica permaneceu praticamente inalterada. Os dados são americanos, do próprio documento da ADA — não existe levantamento equivalente citado para o Brasil.

A troca que o documento pede

Sair de uma conduta de precaução — receitar só por garantia — e entrar num modelo baseado em evidência: receitar só quando é absolutamente necessário. Não é proibição e não é campanha contra o antibiótico. É a mudança do gatilho que dispara a decisão.

O que muda na cadeira

O documento lista o que fazer: checar o histórico do paciente; priorizar o tratamento odontológico definitivo — drenar, tratar o canal, extrair — antes de prescrever; limitar o uso; otimizar a escolha e a duração; padronizar a prática no serviço, em vez de deixá-la ao hábito de cada prescritor; e orientar o paciente. A frase que resume: o antibiótico é adjuvante, não substituto do procedimento.

O recado: Diante de dor e inchaço, a pergunta deixa de ser "qual antibiótico" e passa a ser "por que ainda não drenei, tratei ou extraí". Para profilaxia — prótese articular, implante — existem diretrizes específicas e separadas, e a de implante dentário ainda está em elaboração. Fonte: ADA News, 12 de agosto de 2026, sobre posicionamento do ADA Council on Scientific Affairs publicado no Journal of the American Dental Association em 7 de agosto de 2026.