Mordida de Brodie x mordida cruzada: a diferença e o erro que troca um problema por outro
As duas ocupam extremos opostos da mesma alteração transversal — e o descruzamento mal conduzido pode levar de uma à outra. Uma aula de revisão organiza a diferença e o que ela cobra do clínico.
Assistir no YouTubeEsta edição em vídeo, com narraçãoUm ou mais superiores por dentro dos inferiores
Mordida cruzada é a alteração de oclusão em que um ou mais dentes superiores se posicionam por dentro dos inferiores — o inverso do esperado, já que o normal é o superior recobrir levemente o inferior. Antes de qualquer plano, uma pergunta define tudo: a origem é dentária ou esquelética? É a análise cefalométrica que responde, e é ela que separa um caso de movimentação de um caso de crescimento.
Anterior e posterior pedem leituras diferentes
Na anterior, os dentes da frente superiores ficam atrás dos inferiores. Pode ser confundida com prognatismo, mas nem sempre há alteração óssea — as causas passam por inclinação dentária inadequada, hábitos deletérios como sucção digital e, principalmente, alterações do crescimento maxilar. Na posterior, em pré-molares e molares, são os inferiores que ficam mais vestibularizados que os superiores. É a mais comum, e vem associada a atresia do arco superior, respiração bucal, sucção digital e chupeta.
O extremo oposto — e o mais severo
Na mordida de Brodie os superiores não estão por dentro: estão excessivamente para fora, sobrepondo os inferiores por vestibular. É a forma mais severa dessa alteração transversal, em geral de origem esquelética, com tratamento complexo — ancoragem esquelética, elásticos e, em alguns casos, cirurgia ortognática. O paciente costuma entregar o diagnóstico na anamnese: relata morder a bochecha, incômodo no céu da boca e dificuldade para comer determinados alimentos.
O recado: Durante o descruzamento de uma mordida cruzada, uma movimentação mal conduzida pode gerar uma mordida de Brodie — trocar um problema por outro, mais severo. Na classificação final, a unilateral afeta um lado do arco e pode cursar com desvio de linha média, assimetria facial e desvio funcional da mandíbula; a bilateral atinge os dois lados e costuma estar ligada a problema esquelético, como atresia maxilar. Daí o recado ao clínico geral: mesmo sem ser ortodontista ou odontopediatra, saiba identificar e encaminhar cedo — sobretudo na troca da dentição, quando ainda se aproveita o crescimento. Compartilhe e marque aqui nos comentários quem vai gostar de ver essa notícia.
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