A história da medicina brasileira guardada num casarão no Cosme Velho | Odontologia News
Perto do Corcovado, no Cosme Velho, um museu pouco conhecido reúne relíquias que contam de onde vêm as profissões da saúde no Brasil: das Santas Casas do século 16 às médicas pioneiras e às campanhas que mudaram o país. Uma reportagem da TV Brasil abriu as portas desse acervo.
Assistir no YouTubeEsta edição em vídeo, com narraçãoDo pulmão de aço ao consultório de época
O casarão abriga o Memorial da Pediatria Brasileira Lincoln Freire: a casa foi adquirida pela Sociedade Brasileira de Pediatria em 2000 e o museu foi inaugurado em 26 de março de 2004 — a SBP é a única entidade médica do país com museu próprio. No acervo, o pulmão de aço, respirador artificial da era pré-vacina da paralisia infantil; uma linha do tempo que começa em Hipócrates, o pai da medicina; e a reprodução de um consultório antigo, com aparelhos de madeira, microscópio, seringas de vidro, bercinho e balança.
1560, 1808, 1882: os marcos que formaram a medicina no Brasil
Os primeiros hospitais do país foram as Santas Casas — a de São Paulo é de 1560. Na roda dos expostos, que acolhia crianças abandonadas, mães deixavam bilhetes num santinho para um dia reencontrar o filho. A primeira faculdade de medicina nasceu na Bahia, com a chegada da família real portuguesa; a do Rio veio meses depois, no Morro do Castelo — e em 1918 ganhou a sede da Praia Vermelha, que funcionou até 1964, antes de virar a UFRJ. Em 1882, Carlos Artur Moncorvo de Figueiredo tornou-se o primeiro pediatra do país, atendendo crianças na porta de casa, na Lapa.
As mulheres que abriram as portas da medicina
Maria Augusta Generoso Estrela precisou se formar fora do país — aqui não era permitido. Rita Lobato Velho Lopes foi a primeira formada no Brasil, matriculada em 1881, dois anos depois da reforma que abriu a faculdade às mulheres. E a francesa Madame Durocher, parteira da princesa Isabel, usava adereços masculinos para trabalhar sem ser incomodada. O acervo ainda celebra campanhas que mudaram o país: o médico itinerante, o soro caseiro, o parto humanizado e o Zé Gotinha — a vacinação que erradicou a poliomielite.
O recado: A história guardada no casarão é a memória compartilhada de todas as profissões da saúde — e um lembrete de quanto a prática clínica evoluiu, das seringas de vidro à odontologia digital. Conhecer esse caminho é valorizar a profissão que exercemos todos os dias. Salve este post e compartilhe com um colega que ama a história da profissão.
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