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Dente reimplantado que vira osso: anquilose, reabsorção por substituição e os primeiros 15 minutos

Depois de um trauma, o reimplante pode parecer bem-sucedido por meses e ainda assim terminar em perda. O que separa um desfecho do outro é uma camada da espessura de uma folha de papel.

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Zero vírgula vinte e cinco milímetro decide o destino do dente

É essa a espessura do ligamento periodontal, e o professor Alberto Consolaro usa uma comparação que não sai da cabeça: a mesma de uma folha de papel sulfite. Não é um detalhe anatômico, é uma fronteira ativa. As células desse ligamento, na rede epitelial de Malassez, secretam um fator de crescimento epidérmico que mantém o osso afastado da raiz. Enquanto essa conversa química existe, o osso respeita a distância.

Rompida a fronteira, o osso não pede licença

Um traumatismo, uma pancada, um soco, uma bolada, uma avulsão, pode romper essa rede. Também rompe a atrofia lenta em dentes que ficam com a coroa intraóssea por meses ou anos. Sem o ligamento sinalizando, instala-se a anquilose alveolodentária: o dente cola no osso e passa a ser tratado pelo organismo como se fosse osso. A partir daí a raiz é reabsorvida e substituída, aos poucos, por tecido ósseo. Nas palavras do artigo, em poucos anos o dente não terá mais raiz. É por isso que o desfecho não se lê na semana seguinte ao reimplante: a substituição é silenciosa e leva anos.

O prognóstico se decide antes de o paciente chegar

A literatura de trauma dentário é convergente nesse ponto: o que preserva as células do ligamento é o tempo fora do alvéolo e o meio em que o dente foi guardado. A janela ideal de reimplante é de quinze a vinte minutos. Passados sessenta minutos em meio seco, as células do ligamento periodontal já não são viáveis. A solução de Hank é o melhor meio de conservação, mas é cara e quase nunca está por perto; o leite é a alternativa aceitável e essa sim costuma existir na vida real, assim como o soro fisiológico e a própria saliva. Nada disso garante sucesso. Só muda, e muda muito, a chance de haver ligamento vivo para reparar.

O recado: Aí não se trata mais de salvar a raiz. O tratamento contemporâneo que o artigo descreve é a decoronação, seguida da colocação imediata de implante osseointegrável, uma conduta com resultados clínicos e biológicos consistentes desde os anos noventa. O que vale guardar é a ordem das coisas: a decisão que mais pesa no destino de um dente traumatizado costuma ser tomada por um leigo, no chão, nos primeiros minutos. Ensinar isso vale tanto quanto executar bem o resto.