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450 mil dentistas e o acesso ainda é desigual — o que o censo do CFO revela

São 450 mil cirurgiões-dentistas registrados, e ainda assim ir ao dentista depende de quanto se ganha, de até onde se estudou e do horário em que a clínica abre. O censo do Conselho Federal de Odontologia mostra onde a conta não fecha.

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68% foram ao dentista no último ano. A média é o que menos importa aqui

O dado é do Censo da Odontologia no Brasil, do CFO com a ABIMO, executado pela consultoria Key-Stone entre dezembro de 2023 e dezembro de 2024. À primeira vista o número é confortável. O que ele esconde aparece quando se separa a população: entre quem tem ensino superior, a taxa sobe para 75%; entre quem tem apenas escolaridade básica, cai para 54%. E o recorte de renda é ainda mais duro — 80% de quem ganha mais de dez salários mínimos vai ao dentista com regularidade, contra 59% de quem ganha até um salário mínimo. A média nacional é a soma de dois países diferentes.

450 mil profissionais registrados. O gargalo do acesso está em outro lugar

Segundo o CFO, o Brasil alcançou em outubro de 2025 a marca de 450 mil cirurgiões-dentistas inscritos nos 27 Conselhos Regionais — o maior contingente do planeta, com 24 especialidades regulamentadas e 153 mil registros de especialista. Ortodontia lidera, com 33,3 mil profissionais, seguida de Implantodontia (22,6 mil) e Endodontia (20 mil). Ou seja: a hipótese de que o acesso melhora formando mais gente não se sustenta nos números. A oferta de profissional existe; o que não existe é ela chegando onde a demanda está.

Só 23% procuraram o SUS. E parte da barreira é o relógio, não a fila

Ainda no censo do CFO, entre os que buscaram atendimento apenas 23% o fizeram pelo SUS — o setor privado responde pela maior parte, e é ele que o recorte de renda filtra. A reportagem acrescenta duas barreiras que não aparecem em tabela: a concentração de profissionais no Sudeste, com escassez em outras regiões, e o horário da atenção odontológica pública, que costuma funcionar só durante o dia e exclui quem não pode sair do trabalho. São Paulo respondeu a isso com centros de horário estendido. É uma barreira de organização do serviço, não de falta de mão de obra.

O recado: O perfil do que se faz também está no censo: limpeza aparece em 70% dos atendimentos e obturação ou restauração em 39%, enquanto 86% dos profissionais realizam procedimentos estéticos. Junte isso ao recorte de renda e o quadro fica legível — a demanda reprimida não está na estética, está no básico, entre quem ganha menos, estudou menos e não consegue atendimento no horário em que trabalha. Conteúdo informativo, com base em dados públicos do Conselho Federal de Odontologia. Compartilhe e marque aqui nos comentários quem vai gostar de ver essa notícia.